uma carta saudosa a 2023 e outra, esperançosa a 2024
pensar o que desejo para o ano que está prestes a começar só é possível na medida em que também contemplo tudo o que aconteceu neste outro, que termina.
se em 2023 eu tivesse sido um lugar, seria o deserto do Atacama. sim, um dos lugares mais secos e áridos do mundo, mas onde, em raras vezes, chove. e quando chove, nascem as mais lindas flores cor de rosa.
os momentos dolorosos existiram esse ano, períodos de seca total ou quase total. me senti perdida, como aquele que olha a sua frente e só vê uma planície infinita de areia. nada mais. era como estar perdido no deserto mesmo. coloquei em questão coisas que, antes, eram certeza absoluta. agora entendo a importância de todas as vezes em que coloquei uma interrogação ao invés de um ponto final.
mas a chuva veio, e quando veio, veio com toda a força. a esperança, as possibilidades, os encontros e os amores. eles vieram e pude provar dos diferentes gostos que precedem o amargo, que carregam ele no fundo, mas que também me apresentaram tantos outros sabores que eu não conhecia.
e depois, as flores. eu floresci. sinto que venho me tornando quem eu sou. encontrando meu caminho em um mar de possibilidades. onde antes havia uma rota única, agora há um leque de outras coisas mais. sabendo o que é importante pra mim e o que não abro mão, olho, esperançosa, para o ano que se inicia. que 2024 seja o cenário para eu construir, ainda, a minha história.